Você está lá muito bem, numa tarde assistindo TV, quando de repente se sente estranha. Você não sabe ao certo estranha como, mas você sabe que a visitinha da “indesejável” está pra vir a qualquer dia e qualquer hora. Daí, você está quietinha comendo sua barrinha de cereal no trabalho, quando começa a sentir umas pontadinhas chatas, mas ainda não tem certeza se é a “visita” batendo na porta. Continua trabalhando como se não fosse com você, faz todo o serviço que tem de fazer quando, de repente, não mais que de repente, o estresse te pega de jeito. PRONTO! É ela mesma, você vai dar uma verificada e, tem a confirmação de que ela apareceu pra fazer uma visitinha de quatro a sete dias (é meu povo, aqui a coisa é imprevisível – como com muitas outras mulheres – e, triste, muito triste). E assim, o dia custa a passar, dá 17:00h, mas não dá 15:15h.
No outro dia, as pontadas vêm numa violência que você mal se agüenta. Você sente dores nas pernas, nas costas, braços, peitos, a cabeça fica pesada... Dependendo do grau do negócio, até febre e ânsia de vômito chegam jutinhas pra animar ainda mais a festa. Naquele momento, você se torna um bagaço, uma marionete da “visita”. Faz tudo o que ela quer, ela te obriga, por mais forte que você seja. Aperta-te lá nas entranhas pra que você chore, e você chora, fica te cutucando o dia inteiro pra que você se estresse e, você acaba se estressando. Você perde a linha de raciocínio, o dia por mais ensolarado que seja, muitas vezes lhe parece chuvoso, e a sua vontade é de ficar o dia inteiro jogada no sofá. Por vezes, mesmo que você esteja quietinha, esparramada na cama, assistindo TV e comendo pipoca, a “visita” dá um jeito de te fazer contorcer-se toda. Aí você chora, por que já não agüenta mais aquilo o dia inteiro.
Sua mãe te prepara um chá horrível com biscoito integral pra você tomar, quando você tem sorte de poder estar em casa nesse momento tão difícil (com a sua mamãe, de preferência, não se esqueça. Por que você com certeza não vai ter forças nem pra levantar pra pegar água, imagina fazer chá?). Sua irmã te prepara compressas bem quentes com paninhos (tipo aqueles que você levava pra escola quando estava no jardim de infância), por que enquanto um está no seu ventre, sua irmã está passando o outro a ferro e fogo para a troca. Se tiver namorado, ele se senta ao seu lado apavorado segurando tua mão (enquanto ele quase perde a dele) e, algumas vezes, até a sua vózinha vem pra rezar a tua barriga.
Você se pergunta mil vezes por que está passando por aquilo. Reza vinte Ave Marias e 40 Pai Nossos, pede do fundo do seu coração e da sua alma pra Deus acabar logo com aquela tortura e, promete que você nunca mais vai reclamar de nada nessa vida. Você perde totalmente a fome, sorrir é uma coisa praticamente impossível e quando alguém te vê naquele sofrimento e ain
da te pergunta o porquê de você estar com aquela cara de cachorro sem dono, sua resposta só pode ser uma, “ah, vai pra #@*@#$*#@& e, não me enche a #*@#$*@#$ da paciência, #$@*#@!!!”. Ou no mais, você simplesmente faz cara de paisagem e, ignora (prefiro ficar com essa opção).
Sua vontade é de não ver absolutamente ninguém, mas se não tiver ninguém, você está é ferrada! Até por que, tem vezes em que o estresse é tanto e as dores tão fortes que, você precisa correr pro hospital pra tomar uma injeçãozinha (GOS-TOOOO-SA, bebê!) na veia antes que você não agüente e desmaie de tanta dor.
Se você tiver um “chefo” ou uma “chefa” bonzinhos, agradeça a Deus, por que há um tempo atrás tive uma “chefa” que Deus do céu, se fosse pra eu morrer ali de tanta dor, que morresse. Ela pirava só de ver atestado na frente dela, com dor eu tinha que ligar pra ela (por que ela trabalhava pelo centro na sede e eu lá na filial, onde Judas perdeu as botas, mas graças às forças divinas, em frente ao hospital, só tendo que atravessar quatro pistas, olha que supimpa!) avisar tudo o que eu estava sentindo e aí sim, ela pensaria se ia me deixar ou não ir. Colega de trabalho não podia ligar, ela tinha que ouvir a própria pessoa, acho que pra medir o sofrimento pelo tom de voz. Ela era má, muito má! Mas muitas vezes, meus colegas me deixavam ir na encolha e praticamente me carregando no colo, me levavam até o hospital (quatro pistas não é nada, não é nada, deixa eu te socar até você não agüentar mais que eu quero ver se você atravessa sentindo dor). Outras vezes, quando o trabalho estava sufocante e não tinha quem me levar de jeito nenhum, meu pai coitado, saia lá do trabalho dele, vinha no meu trabalho escravo e, me colocava dentro do carro só pra fazer a volta nas quatro pistas e me levar ao hospital. Olha, é caso sério rapaz, caso muito sério! Isso tudo, fora o tempo que você fica esperando sentindo dor sentada naquelas cadeiras de "plástico" uma junto da outra e o povo te olhando, por que pobre, né meu bem?! Só no sistema público!
Só sei que, depois que esse perrengue todo de dores, choros, gritos, “mããããe, me ajuda eu tô cum dor”, rezas, chás, compressas, estresse, vontade de arrancar a cabeça do seu urso de pelúcia preferido, tirar suas entranhas fora (olha o pleonasmo, Rachel!) e dar um tiro em um, a “visita” do jeito que veio, vai.
Você agradece tanto, mas tanto que olha, é até emocionante. O dia chuvoso parece de sol, estão te xingando, você agradece, te mandam enfrentar uma fila enorme só pra comprar um ‘qui de açúcar, você está lá! Você se torna a pessoa mais maravilhosa desse mundo (até que dois dias depois, no máximo, você volta a ser você mesma, se esquecendo de todo o sofrimento que passou)!
Mas, pra você que é homem, criança ou qualquer outro ser que não receba a visitinha adorável da TPMIS AGÚDIS (até mesmo as próprias mulheres que receberam por muitas vezes e agora não precisam aturar mais), não se preocupe, por ela fica até oito dias no máximo (que eu saiba), mas só perturba dessa forma “assustadora” um dia e meio. Por isso não corram e se puderem, nos acudam assim que chamarmos. Lembrando sempre que, sem perguntar never, nunca, “jamé”, por que estamos fazendo cara de cachorro sem dono, até por que, depois que levar uma “bifa” no meio da orelha, vai achar ruim. Então, não faça NADA, apenas mantenha a calma e obedeça que assim, ninguém morre! Amém.
Rachel Chagas









